João Omar

João Omar – Ao Sertano

Contemplado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, o projeto reúne em disco as 13 composições da obra completa de Elomar Figueira Mello para violão solo, preciosamente executadas pelo artista

Retomando a carreira solo, que começou com o álbum “Corda Bamba” (gravado em 2007), João Omar  apresenta ao público o concerto do CD “Ao Sertano”. No lançamento, o músico interpreta peças para violão solo, do renomado violonista, cantor e compositor: Elomar Figueira Mello – pai do artista. As apresentações serão nos dias dias 20/06, as 18h30, na Lirica Mineira /Casa dos Carneiros, em Vitoria da Conquista; e 27/06, às 19h, no Teatro SESC Pelourinho.

No repertório, a suite “Labuta Sertaneza” – que faz alusão à jornada de trabalho do homem do campo; canções da suite “Três Tiranas para El Quedah” – inspirada em conversas entre Elomar e o mestre violonista Turíbio Santos sobre a possível origem do nome “Guitarra” e as transformações que sofreu; além de outras composições que em muitas passagens trazem o linguajar e a oralidade sertaneja, conservando dinâmicas que estão presentes nos falares e cantares dessa região. O concerto também inclui peças da renascença espanhola, inglesa e cantigas do próprio menestrel Elomar.

João Omar

João Omar (Foto: Divulgação)

“No final das tardes, depois de ter chiqueirado as cabras, eu entrava na casa pela cozinha, e já ouvia alguns acordes que vinhamdo peitoril. Era meu pai compondo. Ouvia os pedaços sendo lapidados, as passagens musicais, os “trechos” sendo buscados como uma indaga de alguém que espera ouvir a resposta confessada pelas nuvens em brasa, ou no afago da noite que avança com suas mãos serenas”, relembra João Omar memórias muito próximas desse universo.

Concerto AO SERTANO

Vitoria da Conquista: Lirica Mineira – Fundação Casa dos Carneiros
Data: 20/06 – Horário: 18h30
Endereço: Povoado da Gameleira, distrito do Iguá, rodovia BA-269.
(a 20 km de Vitória da Conquista)

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Salvador: Teatro SESC-SENAC Pelourinho
Data: 27/06 – Horário: 19h
Ingressos: R$14 e R$7 (meia).
Largo do Pelourinho, 19, Centro Histórico de Salvador
Telefone: (71) 3324-4520
Classificação: 12 anos

João Omar

João Omar (Foto: Divulgação)

JOÃO OMAR é Natural de Vitória da Conquista, sertão da Bahia, graduado em Composição e Regência e Mestre em Regência Orquestral pela UFBA –  com passagem pela l’Association Celibidache, na República Checa.    Aos 9 anos, tomou gosto pela música. Adolescente, resolveu se dedicar ao violão e se aprimorar com grandes mestres do instrumento, como Carlos Alberto (Betuca), Turíbio Santos, Leonardo Boccia, Mário Ulloa e Henrique Pinto, tanto em Salvador como no Rio de Janeiro. Entretanto, é de berço que vem a sua grande inspiração.

A relação íntima que  João Omar possui com a obra do pai vai muito além da relação familiar. Desde 1985, o maestro  acompanha Elomar, profissionalmente, em concertos por todo o Brasil e países da Europa. Em 1989, quando cursava o segundo ano da Escola de Música da UFBA, o talento logo chamou à atenção. Num concurso de violão para Jovens instrumentistas, ganhou em segundo lugar (na categoria principal) e como melhor intérprete de Villa-Lobos. No Prêmio Sharp de Música – Ano Jackson do Pandeiro – conquistou o prêmio de Melhor Arranjador (Categoria Regional), em 1998. Nessa trajetória, dividiu palco com grandes nomes da Música, a exemplo de Geraldo Azevedo, Xangai, Décio Marques, Edson Cordeiro, Targino Gondim, Silvério Pessoa, Lula Queiroga, entre muitos outros.

Elomar Figueira Mello teve uma formação musical peculiar como autodidata, com poucas aulas no período de estudos em Salvador, quando cursou arquitetura e adentrou nos Seminários de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ao longo da formação, já denotava uma aspiração para as formas eruditas; característica presente em suas canções, dada a complexidade da organização composicional que apresentam nos desenvolvimentos melódicos, na harmonia e nos contrapontos que permeiam cada uma delas.

As composições apresentadas se diferenciam pela forma ímpar como abordam elementos próprios da cultura musical do nordeste do Brasil, especialmente do sertão baiano, como também pelas construções temáticas, sem que as mesmas se deixem caracterizar simplesmente como música instrumental ou temas instrumentais. Tratam-se de peças originais que revelam um perfeito domínio na escrita para violão, com elaborada complexidade, beleza e virtuosismo. Com uma retórica que se articula com os modos de vida da localidade onde habita e transita – Elomar integra esses elementos à sua obra sem artifícios.

A capa do disco

Em 1982, o arquiteto e artista visual Juraci Dórea visitou a fazenda Casa dos Carneiros, para encontrar Elomar, que estava em processo de finalização do álbum “Fantasia Leiga Para um Rio Seco”, que seria gravado em Salvador, sob a regência e auxílio na orquestração de Lindembergue Cardoso. Juraci Dórea filmou em câmera Super 8, passeando pela fazenda, se ambientando com o universo elomariano e buscando inspiração para criar a capa deste disco. Na fazenda, ao folhear um caderno de composições das peças para violão de Elomar, encontrou uma página sem escrita musical e rascunhou um rebanho de bodes com linhas que emergiam paralelas aos pentagramas (pauta que serve de base para a escrita das notas musicais). Ao invés disso, depois de  27 anos, o desenho foi escolhido para ser a capa do CD “Ao Sertano”.

Ficha técnica

Violão: João Omar
Produção Executiva: Mônica Koester
Desenho da Capa: Juraci Dórea
Técnico de Gravação:  Poli Brandani
Gravado e masterizado Estudio Classic  Master, Borda da Mata – MG
Masterização: Carlos Freitas
Gravado com Violão José Ramirez

ARLON SOUZA  Sonora
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